‘Tempos Modernos’ chega ao fim sem deixar saudades

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A inquietude dos pensamentos de Bosco Brasil não foi bem assimilada em Tempos Modernos. O mosaico de informações sobre o universo underground de São Paulo, a questão da segurança privada e uma sucessão de personagens de cartoon compuseram um cenário de Torre de Babel no fictício arranha-céu Titã, o edifício onde se passou grande parte da história. Com a intenção do autor de não se importar com a verossimilhança dos acontecimentos da história, o naturalismo foi jogado de lado e, talvez por isso, a audiência naufragou em apenas 23 pontos de média. Depois de seis meses no ar e uma infinidade de desacertos que culminou com uma das piores audiências do horário das sete, a história babilônica chega ao fim sem deixar saudades – após herdar uma elevada audiência de Caras & Bocas, última produção das sete, que até foi esticada pelos satisfatórios 33 pontos de média.

No entanto, a história dirigida por José Luiz Villamarin já parecia estar fadada ao desacerto desde o início, com o tom exagerado de seus personagens em diálogos teatrais e muitas vezes inconsistentes. A começar por Leal, o protagonista de Antônio Fagundes. Até hoje o ator parece não ter conseguido se livrar dos trejeitos e do modo de falar de Pedro, seu caminhoneiro de Carga Pesada. Ao seu lado, Eliane Giardini, como a fogosa Hélia, por diversas vezes tentou trazer dramaticidade e densidade às cenas, mas não conseguiu salvar sozinha suas tomadas. Com uma direção pouco autoral, Villamarin também não conseguiu driblar a história confusa, o que resultou em cenas que pareciam isoladas e com uma emoção pouco convincente.

Em sua primeira investida como vilã, Grazi Massafera se sobressaiu no início da história como a implacável Deodora, uma espécie de lutadora de quadrinhos. No entanto, a mudança de sua personagem, que acabou se transformando quase na mocinha, não convenceu e diluiu a interessante composição da atriz, que se perdeu na trama com a falta de identidade de seu papel. Mesmo assim, ao lado de Felipe Camargo, como Portinho, a atriz foi um dos principais destaques da história e provou que já tem recursos para se adaptar em cena.

Já o núcleo de Goreti e Bodanski, o casal interpretado por Regiane Alves e Otávio Muller, se inutilizou em cenas de comédia quase pastelão. Além de começar a história não convencendo como casal, com esses personagens – pais de quatro filhas chamadas Maria -, Bosco apelou ao inventar quatro filhos homens de Bodanski, todos também batizados de João. Faltou pouco para não virar um quadro de Zorra Total.

Sem costuras no texto e com uma iluminação soturna e quase “noir”, a trama foi digerida sem os temperos mais necessários ao horário das sete, como leveza e humor. No entanto, o fim quase trágico e insosso da audiência desses Tempos Modernos não deve interferir na estreia solar e meio retrô da próxima trama das sete da Globo. Que já causa algum Ti-Ti-Ti por ser um remake de um dos maiores sucessos do horário.

Mariana Trigo – Portal Terra

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