TV paga cresce, e telespectador fica mais exigente

A TV paga cresce no Brasil. Até março deste ano, segundo dados da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), 7,9 milhões de lares brasileiros já dispunham do serviço. A previsão é que esse número chegue aos 8,5 milhões de lares até o mês de agosto, o que dará média de 30 milhões de pessoas assistindo à TV por assinatura diariamente.

Tais números representam apenas os dados oficiais, já que a “TV a Gato” não é contabilizada. Ela, por exemplo, é bastante comum nas casas de moradores das comunidades do Rio. Gente como a secretária Fabíola Oliviera, de 19 anos, da comunidade carioca de Vigário Geral. Há quatro meses, ela e seu companheiro resolveram adquirir a TV a Gato por R$ 35 mensais.

– Trabalho o dia inteiro e, quando chego em casa, gosto de ver um filme. Essa flexibilidade de horários na TV por assinatura ajuda bastante.

Pertence a São Paulo o posto de Estado líder no número oficial de assinaturas, com 41,7% dos assinantes. O Rio tem 15,1%, em segundo, e Minas Gerais, 8,5%, em terceiro.

Entre as regiões brasileiras, o Sudeste lidera com 5,2 milhões de assinantes. O Sul, com 1,2 milhão, fica em segundo lugar. Em terceiro, com 683 mil assinantes, fica o Nordeste, seguido do Centro-Oeste, com 468 mil. Na lanterninha está a região Norte, com 248 mil.

Apesar desse crescimento, a TV paga brasileira ainda está concentrada nas mãos de duas empresas: a NET, que detém 47% do mercado, e a Sky/DirecTV, com 26% – somadas, elas englobam 73% do mercado.

Para o pesquisador em televisão na USP (Universidade de São Paulo) Claudino Mayer, o crescimento da TV paga reflete a melhoria do poder econômico do brasileiro nos últimos anos, com um grande contingente de pessoas fazendo a transição de classe social.

– Esse crescimento não significa que a TV paga seja melhor do que a aberta. Nas duas há coisas boas e ruins. Muitos telespectadores, ao subirem de condição financeira, assinam a TV paga mais pelo status social do que por sua programação.

O pesquisador afirma que, com a chegada desse novo contingente de telespectador, a TV paga caminhará aos poucos para uma maior popularização, já que “esse crescimento de assinaturas é baseado na mudança de nível sócio-econômico e não no nível sócio-cultural”.

O êxito de canais nostálgicos, como o Viva, lançado com sucesso pela Globo para exibir seus programas do passado, aponta para o grande filão da TV paga no futuro, na opinião de Mayer.

– O telespectador mantém uma ligação afetiva com a TV e gosta de ver coisas antigas. Isso também é bom porque ele fica mais crítico em relação à produção atual. O bom desse crescimento da TV paga é que o país vai ganhar telespectadores mais exigentes e com mais opções ao ligar seu aparelho de TV.

Moradora do Brooklin, bairro de classe média alta de São Paulo, Lucila Longo, 25 anos, tem TV a cabo “desde que se entende por gente”. Fã de seriados como True Blood e Grey’s Anatomy, ela parece concordar com o especialista.

– Estou gostando muito do Viva. Acho sensacional poder ver coisas do presente e do passado na TV paga. Quanto mais opção, melhor.

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